Fidel Castro

segunda-feira, 24 de maio de 2010

CAIO PRADO, UM MILITANTE DO SEU TEMPO

Por Angelo Diogo Mazin - historiador

Posto que não há leituras inocentes,
comecemos por confessar de que leituras
somos culpados.

Louis Althusser

Existem afirmações de que há homens e mulheres os quais, devido sua contribuição teórica e prática, são considerados pessoas à frente de seu tempo. No caso de Caio Prado Júnior, não seria possível assumirmos essa postura e afirmarmos que ele foi um homem à frente de seu tempo. Pelo contrário. Caio Prado Júnior foi um homem do seu tempo histórico, e deste, extraiu as condições necessárias que pudessem fazer dele um militante e teórico capaz de construir uma análise marxiana de acordo com as condições da realidade do Brasil.

Caio Prado Júnior nasceu na cidade de São Paulo em 11 de fevereiro de 1907 e faleceu na mesma cidade, em 23 de novembro de 1990, aos 83 anos, na condição de um dos mais importante historiador brasileiro. A história do Brasil, no sentido de compreender o processo de formação do país, foi um dos grandes projetos que Caio Prado Junior, pesquisou durante toda sua vida. Mas não apenas a história dos livros, mas especialmente a do desenvolvimento e da atuação de homens e mulheres na realidade história.

Pertenceu a uma das mais ricas e influentes famílias de São Paulo. Com efeito, vários parentes seus exerceram papel de destaque na vida político-econômica do estado de São Paulo. Entre os seus familiares mais próximos, e que tiveram grande influência na sua formação educacional, destacam-se seu avô Martinho Prado Júnior e seus tios-avôs Antônio Prado e Eduardo Prado; sendo que os dois primeiros também possuíram mandatos no Legislativo Paulista.

Caio Prado Júnior teve uma formação escolar privilegiada. Iniciou os estudos em casa, orientado por professores particulares, como era comum entre as elites daquela época. Em 1918, ingressou no Colégio São Luís, dos jesuítas, que neste mesmo ano se mudara da cidade de Itu para a Capital. Nesse colégio, permaneceu até a conclusão de sua formação secundária. Junto com sua família, passaram uma temporada na Inglaterra, onde freqüentou o Colégio Chelmsford Hall, em Eastbourn. Teve sua formação superior na Faculdade de Direito de São Paulo, entre os anos de 1924 e 28, espaço de muitas tradições no que se refere à formação das elites paulistas e brasileiras.

A família de Caio Prado Júnior era abastada. Embora esses detalhes pareçam menos importantes quando tratamos da biografia de lutadores, consideramos relevante destaca-los, pois a trajetória de Caio Prado é marcada por rupturas políticas, de concepções teóricas e, principalmente, de classe. Segundo Florestan Fernandes (1995, p. 79), “Caio Prado Júnior ostenta uma aceleração contínua, que percorre uma passagem rápida do radicalismo democrático – burguês para a oposição intransigente proletário – comunista”. Essa opção de classe marcará a trajetória de vida deste militante comunista.

Nesse período que Caio Prado estudava na faculdade de Direito, filia-se ao Partido Democrático[1], que no seu programa, (DEL ROIO, 1990, p. 22), “defendia os interesses da burguesia agromercantil, que se sentia prejudicada pela atuação da política econômica da época (...). Para se firmar como organização política, o PD-SP procurou atrair setores médios urbanos e operários...”. Vale lembrar que nesse período da história do Brasil, não existiam Partidos Políticos de caráter nacional. Em São Paulo, a grande referência partidária que inclusive dominava o Estado nessa época, era o Partido Republicano Paulista[2]. Esse Partido mantinha uma política clientelista, de acordo com os interesses da oligarquia rural da época. Inclusive o Partido Democrático ao qual Caio Prado se filiara em 1928, é uma dissidência do PRP.

No Partido Democrático, Caio Prado Júnior atuou de forma intensa sendo sua primeira experiência política. Segundo Iglesias (1982, p. 13): “Militante ativo, colaborou na organização da entidade nos bairros da capital e no interior do Estado, em serviços de rotina e em comícios”. Um dos objetivos do Partido Democrático era de contrapor a candidatura de Júlio Prestes[3], apoiando o nome de Getúlio Vargas. Nesse sentido, Caio Prado entregou-se a causa do Partido Democrático contra o projeto das oligarquias, o qual era defendido pelo Partido Republicano. Vale ressaltar que nesse projeto estava em disputa a continuidade do projeto conservador oligárquico e a possibilidade da realização de um novo projeto para o Brasil, defendido por Getúlio Vargas.
Caio Prado Junior se insere nessa disputa entre o Partido Democrático e a possibilidade de desenvolvimento de uma nova etapa no Brasil, fundamentada no desenvolvimento do liberalismo
[4] brasileiro, e o Partido Republicano, que tinha na sua essência a defesa do projeto das oligarquias latifundiárias paulistas e mineiras[5].

Nessa ocasião Caio Prado sofre sua primeira prisão, de muitas que viriam depois. (ibidem, p 14) “Em cerimônia da candidatura oficial, na presença de Júlio Prestes e do oficialismo federal e estadual, deu um viva a Getúlio Vargas.” Com a vitória de Júlio Prestes, as forças oposicionistas tiveram outros desafios. Caio Prado Junior atuou de forma conspiratória nesse período, destruindo e sabotando, por exemplo, as vias de comunicação que certamente seriam usadas contra os revolucionários que vinham do Sul do país, que resultou na “Revolução” de 1930.

Com a vitória de Getúlio, Caio Prado Júnior trabalha intensamente a favor do Governo provisório. Fora mandado na época para Ribeirão Preto, interior de São Paulo, onde atuou na organização das delegacias revolucionárias, com o objetivo de apurar os erros e os desvios do passado. (ibidem p. 18) “Caio Prado foi mandado para a delegacia de Ribeirão Preto, lá ficando por três meses. Trabalhou muito, até perceber que não se chegaria a resultado nenhum. E os inquéritos foram para os arquivos”.

As disputas entre os revolucionários da época[6], a falta de um programa político, o choque entre os políticos tradicionais e a vanguarda dos tenentes, desencantam Caio Prado. Percebe que a luta que se envolvera não trará soluções para os problemas estruturais da população brasileira. Em 1931, Caio Prado filia-se ao Partido Comunista do Brasil (PCB) (ver anexo I), força de esquerda que naquele período defendia um programa claro, objetivo e principalmente: radical. Segundo Florestan Fernandes:

As tentativas de uma revolução dentro das linhas radicais (a participação no
Partido Democrático e as expectativas relacionadas com a revolução liberal)
precipitam o processo psicológico e político em outra direção, mas congruente,
desvendada pelo Partido Comunista. (FERNANDES, 1995, p 82).



Essa atitude de filar-se ao Partido Comunista significará para Caio Prado Júnior à opção e a consolidação de um posicionamento de classe, de uma postura proletária que este defenderá e manterá pelo resto de sua vida. É no Partido Comunista do Brasil, que Caio Prado Junior amadurecerá sua visão política, compreenderá o desenvolvimento da luta de classes no Brasil.
Comunista recente, Caio Prado Júnior se entregava a organização do proletariado. Oriundo da classe alta, podemos afirmar que ele rompe com a burguesia paulista daquele período, misturando-se com o povo, numa convivência que certamente fortalecia seus ideais comunistas. No Partido Comunista, não ocupa cargos importantes. Trabalha como militante, na organização da base. Segundo Iglesias:



A experiência teve importância pelo contato com o povo e pelas perspectivas que
a atividade lhe abriu. Embora servisse como simples militante, aprendeu muito:
passa a conhecer e compreender o povo, em extraordinária aventura humana.
(IGLÉSIAS, 1982, p. 15).



Na campanha das eleições de 1928, no período que Caio Prado Junior era filiado no Partido Democrata, teve uma grande atuação no interior do Estado de São Paulo, onde refletia de forma mais intensa a pobreza da classe trabalhadora. Mas é no Partido Comunista do Brasil (PCB), que o horizonte de classe, ou melhor, da luta de classe se coloca numa outra perspectiva. Nesse sentido, Caio Prado Junior torna-se um intelectual orgânico do Partido, um militante que defenderá, independente se sua origem de classe, os interesses da classe trabalhadora.

O Partido Comunista do Brasil (PCB) foi fundado em 1922, especificamente nos dias 25, 26 e 27 de Março daquele ano. Segundo Konder, os objetivos do Partido, publicados no Movimento Comunista, órgão nacional, eram:


Atuar como organização política do proletariado e também lutar e agir pela
compreensão mútua internacional dos trabalhadores. O Partido da classe operária
é organizado com o objetivo de conquistar o poder político pelo proletariado e
pela transformação política e econômica da sociedade capitalista em comunista.
(KONDER: 2003, p. 47)

Vale considerar que a formação do Partido Comunista do Brasil (PCB), ou de um instrumento do proletariado brasileiro, de caráter operário, dá-se sob forte influência da revolução Russa de 1917. Principalmente no Brasil, esse debate toma forma entre os anos de 1917 e 1920, gerando então, em 1922 a fundação do Partido Comunista do Brasil (PCB). Para Brandão (1997, p. 22), “o Partido Comunista do Brasil, é o agrupamento político com maior ligação com a classe operária, além de virtual detentor do marxismo...”. No caso do Brasil, onde historicamente os partidos políticos sempre foram instrumentos da classe dominante, a partir de 1922, podemos considerar que a criação do Partido Comunista do Brasil (PCB), inaugura a possibilidade de um instrumento político de caráter diferente, ou seja, de caráter proletário, e que defende de fato uma revolução socialista e comunista.

Em 1933, Caio Prado Junior publica Evolução Política do Brasil. Trata-se, da primeira obra no Brasil que aplica o materialismo histórico e dialético como método de interpretação da realidade: Segundo Florestan Fernandes (1995, p. 82) “o livro resvala por lapsos lógicos, descritivos e interpretativos, que mereciam reparos de marxistas experimentados. Mas quem poderia ser, dentro de nosso cosmo cultural, mais marxista?” No prefácio à primeira edição, Caio Prado Junior (1933, p. 10) evidencia o caráter de sua obra: “há muito se faz sentir a necessidade de uma história que não seja a glorificação das classes dirigentes. E traçar uma tal história é tudo quanto pensei fazer”. A luta de classes, na analise do historiador marxista Fernando Novais, penetra na historiografia brasileira com Caio Prado Junior. Nesta obra, Caio Prado Junior inicia um debate importante que se estenderia por toda sua vida com o Partido Comunista do Brasil (PCB). Ao referir-se ao processo da revolução no Brasil, e a tese do Feudalismo brasileiro, já em 1933, Caio Prado Junior na obra Evolução Política do Brasil afirma que:



Esta afirmação destina-se principalmente aos que, fundados em certas analogias
superficiais, se apressam em traçar paralelos que não tem assento na realidade.
Podemos falar num feudalismo brasileiro apenas como figura retórica, mas
absolutamente para exprimir um paralelismo que não existe, entre nossa economia
e a da Europa medieval (PRADO JUNIOR: 1933, p. 18).


Nesse período em que Caio Prado escreve sua primeira obra, a tese do Feudalismo no Brasil era bem aceita e defendida entre os intelectuais e, principalmente, pela esquerda brasileira. Em Evolução Política do Brasil está a semente da interpretação da realidade brasileira que orientará a ação política de Caio Prado Junior. O aparecimento da obra Evolução Política do Brasil, era a comprovação inequívoca de certas possibilidades de reflexão crítica sobre a realidade brasileira, que os marxistas, no Brasil, ao longo das duas décadas que se seguiram à sua publicação, não souberam aproveitar.


Em 1942, Caio Prado Junior publica Formação do Brasil Contemporâneo, o ponto mais alto de sua obra historiográfica. Segundo Fernando Novais (1986, p. 16): “(...) o livro de Caio Prado Junior começa a aparecer como um exemplo bem sucedido na prática da dialética”.
No capítulo “Sentido da Colonização”, Caio Prado Junior diz:


Todo povo tem na sua evolução, vista à distância, um certo “sentido”. Este não se percebe nos pormenores de sua história, mas no conjunto de fatos e acontecimentos essenciais que a constituem num largo período de tempo (...). O sentido da evolução de um povo pode variar; contecimentos estranhos a ele, transformações internas profundas do seu equilíbrio ou estrutura, ou mesmo ambas estas circunstâncias conjuntamente, poderão intervir, desviando-o para outras vias até então ignoradas. (PRADO JUNIOR: 1994, p. 19).



Quando Caio Prado Junior, ao analisar o processo de colonização do Brasil, não o faz isolando este, da totalidade. A colonização da América, dessa forma, não pode ser explicada de outro modo, senão como resultante do processo da expansão ultramarina. O “Sentido da Colonização” (categoria analítica) para Caio Prado Junior, é considerar a localização do fenômeno na totalidade. Ao tratar da expansão comercial européia entre os séculos XIV e XV, fase mercantil do capitalismo moderno, Caio Prado Junior não se interessa, num primeiro momento, em compreender as questões unicamente internas do fenômeno, mas sim, compreender as questões da totalidade, dos motivos desse movimento de colonização da América, para posteriormente compreender a parte, ou seja, a Colônia. A síntese desse processo será então o movimento no seu conjunto. A análise de Caio Prado Junior, embora centrada em uma região, busca permanentemente articular o geral e o particular.

Em 1945, Caio Prado publica História Econômica do Brasil. Segundo Iglesias (1982, p. 27): “O livro atendia a uma necessidade de um público, com a multiplicação dos cursos de História, Ciências Sociais e Ciências Econômicas”. No capítulo PREMILINARES (1500 – 1530), Caráter Inicial e Geral da Formação Econômica Brasileira, Caio Prado Junior (2006: 13) afirma: “Para se compreender o caráter da colonização brasileira é preciso recuar no tempo para antes do seu início, e indagar as circunstâncias que a determinaram”. Caio Prado Junior segue reafirmando o método dialético de interpretação e análise da realidade, articulando o geral e o particular quando o objeto de estudo é o processo de colonização do Brasil. Para Caio Prado Junior, considerar o processo de colonização de forma isolada do contexto geral e, principalmente, desconectado da realidade brasileira contemporânea é um equivoco. Portanto, Caio Prado afirma que:

Este início [colonização], cujo caráter manter-se-á dominante através dos
séculos da formação brasileira, gravar-se-á profunda e totalmente nas feições e
na vida do país. Particularmente na sua estrutura econômica. Tê-lo em vista é
compreender o essencial da evolução econômica do Brasil... (PRADO JUNIOR: 2006,
p. 23)


Caio Prado Junior segue, nas três obras citadas acima, uma linha coerente da História do Brasil, buscando no passado não as justificativas do presente, mas principalmente, as determinações da contemporaneidade. Essas obras não têm outro objetivo senão, relacionar a pesquisa e a produção com o intuito de compreender o presente. Essa compreensão deve contribuir fundamentalmente, para que se possa intervir na realidade no momento com o qual se deseja defrontar e transformar. Segundo Ricupero (2000, p. 22): “Caio Prado Junior, garantiria seu lugar no panteão dos grandes intérpretes do Brasil, por ser o inaugurador no país do uso de um método relativamente novo, o materialismo histórico”.

A importância de Caio Prado como intelectual, não pode ser analisada de forma desconectada da ação política como militante revolucionário. Sua produção teórica é voltada para a ação prática revolucionária. Seu esforço e seu êxito devem ser reconhecidos num contexto da luta de classes. Essa é uma das determinações que levam Caio Prado Junior a pesquisar e aprofundar na historiografia brasileira. E podemos considerar que nas obras Evolução Política do Brasil (1933), Formação do Brasil Contemporâneo (1942) e História Econômica do Brasil (1945), Caio Prado Junior inaugura na história da historiografia brasileira uma nova categoria analítica: a luta de classes. Portanto, como veremos no seguinte Capítulo, considerar Caio Prado Junior como um mero intelectual no campo da história, das ciências políticas, da economia, distante da ação política e revolucionária, é analisar de forma unilateral e incompleta a produção intelectual desse pensador revolucionário. Devemos situar seu pensamento e produção teórica, contextualizando-o com sua prática política e de acordo com o momento histórico que estava inserido. As obras citadas acima se tratam, antes de tudo, de uma dura crítica, que representa a superação dos esquemas utilizados pela esquerda brasileira da época, pois desenvolve uma interpretação inteiramente nova dentro da própria esquerda, já que Caio Prado Junior, conforme dissemos acima, está vinculado organicamente ao Partido Comunista do Brasil (PCB), desde 1931.

Caio Prado Júnior destaca-se como um dos principais representantes da utilização do marxismo no estudo da História, Economia, Geografia e teoria política brasileira. Sua obra abrange os campos da História, Geografia, Sociologia, Economia, Política e Filosofia. Ela é composta pelos seguintes livros: Evolução Política do Brasil (1933); URSS: Um novo mundo (1934); Formação do Brasil Contemporâneo (1942), que é considerada sua principal obra, um clássico ensaio sobre a História Brasileira; História Econômica do Brasil (1945); Dialética do Conhecimento (1952); Diretrizes para uma Política Econômica (1954); Esboço dos Fundamentos da Teoria Econômica (1957); Introdução à Lógica Dialética (1959); O Mundo do Socialismo (1962); A Revolução Brasileira (1966) (pelo qual recebe o título de Intelectual do Ano, sendo agraciado com o prêmio Juca Pato); História e Desenvolvimento (1968); O Estruturalismo de Lévi-Strauss - O Marxismo de Louis Althusser (1971); A Questão Agrária no Brasil (1979) e A Cidade de São Paulo (1983), entre outras, como por exemplo, O que é Filosofia; e, O que é Liberdade?

Trata-se de uma vasta produção intelectual pouco aproveitada nas universidades e dentro da própria esquerda, da época e da nossa contemporaneidade.


Notas de rodapé:



[1] O Partido Democrático foi um partido político brasileiro, mas de caráter estadual, fundado por dissidentes do Partido Republicano Paulista - PRP - em 24 de fevereiro de 1925, tendo sido seu manifesto assinado por 599 signatários. Era uma organização representativa da classe média tradicional, vinculada a setores cafeeeiros, mas sobretudo a urbana. Seus fundadores e filiados eram em sua maioria profissionais liberais, jovens filhos de fazendeiros de café, ou egressos de famílias tradicionais. Poucos membros eram industriais. Nos primeiros 3 meses de organização da legenda, o partido dispunha de cerca de 20 mil membros; no final de 1926, era possível computar 50 mil. Em maio de 1927, o partido tinha 17 diretórios em São Paulo e 70 no interior, número elevado para 180 em fins de 1927. Em julho de 1927 foi criado o Diário Nacional jornal oficial do partido, com tiragem de 35000 exemplares, em dezembro, e 70000 em agosto de 1928. Após a Revolução de outubro, e o desencanto com Vargas, o PD aproximou-se do Partido Republicano Paulista (PRP), e constitui uma "Frente Única Paulista", que atuou na campanha pela Constituinte, e se envolveu com a Revolução Constitucionalista de 1932, tendo sido vários dirigentes exilados ou presos. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Democr%C3%A1tico_(1930). Acesso em: 05 de março de 2008.
[2] O PRP foi criado por profissionais liberais (advogados, médicos, engenheiros etc.) e, sobretudo, por importantes proprietários rurais paulistas partidários da imigração de mão-de-obra européia para as lavouras de café e da abolição dos escravos e quase toda a cúpula do PRP, na época se dizia "próceres", eram membros da maçonaria. O objetivo primordial do partido era implantar no Brasil uma federação republicana, com um alto grau de descentralização administrativa, o que inexistia durante o período imperial (1822-1889). Outra importante reivindicação dos republicanos era o retorno dos impostos arrecadados à província (depois estados) de origem. Seguiu-se a República do café com leite ou República Oligárquica, quando e o país foi governado por presidentes civis fortemente influenciados pelo setor agrário. Revezavam-se no poder representantes do Partido Republicano Paulista e do Partido Republicano Mineiro (PRM), que controlavam as eleições e gozavam do apoio da elite agrária de outros estados do Brasil, através da centralização do poder e favores distribuídos pelos governadores nomeados. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Republicano_Paulista. Acesso em: 05 de março de 2008.

[3] Júlio Prestes de Albuquerque (Itapetininga, 15 de março de 1882São Paulo, 9 de Fevereiro de 1946) foi um poeta e político brasileiro, décimo terceiro e último presidente do estado de São Paulo (1927- 1930) e o último paulista de nascimento a ser eleito presidente do Brasil.Foi o último presidente da chamada República Velha. Não chegou, no entanto, a tomar posse, impedido que foi pela Revolução de 1930. Em 1929, Júlio Prestes foi indicado, depois de uma consulta a todos os 20 governadores de estado, por Washington Luís como candidato do governo à sucessão presidencial, contando com o apoio do oficialismo, ou seja, os governadores de dezessete estados. Negaram apoio a Júlio Prestes apenas os Governos de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba. Júlio Prestes passou o governo de São Paulo ao seu vice, Heitor Penteado, e candidatou-se à Presidência da República, tendo como candidato a vice Vital Soares, então presidente da Bahia. Essa indicação, porém, desagradou o Partido Republicano de Minas Gerais (PRM), especialmente os partidários do governador Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, que esperava fosse mantida a tradição de revezamento entre mineiros e paulistas na Presidência da República, regra não escrita que garantira a estabilidade da República Velha. O vice presidente da República Melo Viana, mineiro, e seus partidários mantiveram o apoio a Washington Luís e Júlio Prestes. O PRM, então, articulou a Aliança Liberal, integrada pelos oficialismos de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, a que se somaram forças opositoras de diversos estados. Os candidatos da Aliança Liberal foram o presidente do Rio Grande do Sul Getúlio Vargas, para a Presidência da República, e o presidente da Paraíba, João Pessoa, para vice. Após uma campanha acirrada, em 1 de março de 1930 realizaram-se as eleições. Pela contagem oficial, o candidato Júlio Prestes obteve 1.091.709 votos contra 742.794 de Getúlio Vargas. Como era hábito nos pleitos da República Velha, o resultado oficial foi recebido com descrédito pelos candidatos derrotados e por boa parte da opinião pública, havendo acusações de fraude também contra a Aliança Liberal. Disponível em : http://pt.wikipedia.org/wiki/Julio_Prestes. Acesso em: 10 de março de 2008.
[4] Segundo Tomás Várnagy: “... o liberalismo surge como conseqüência da luta da burguesia contra a nobreza e a Igreja, aspirando Ter acesso ao controle político do Estado e procurando superar os obstáculos que a ordem jurídica feudal opunha ao livre desenvolvimento da economia. Trata-se de um processo que durou séculos, afirmando a liberdade do indivíduo e defendendo a limitação dos poderes do Estado. (...) o liberalismo tem diferentes variedades e tendências, mudando suas significações de acordo com as diferentes épocas e países. (...) num sentido amplo, enfatiza a liberdade do indivíduo diante das restrições externas (Igreja, Estado, tradições, sociedade).. (VÁRNAGY, 2006, p. 46 - 77).
[5] É que, realmente: “as relações absorventes da propriedade cafeeira estavam entravando o desenvolvimento de outras produções, enquanto a nossa máquina política estava toda calcada nessa lavoura cafeeira que vem se constituindo há muitos anos na grande potência eleitoral. O fato do Estado vir sendo a forma representativa da vontade dos grandes proprietários de terras estava em contradição com o desenvolvimento das forças produtivas, no qual a ascensão da burguesia se inseria, como conseqüência inevitável. O que estava condenado era o quadro antigo: e os interesses dos senhores latifundiários, aglutinados em clãs partidários”. (SODRÉ, 1979, p.238).
[6] Podemos considerar que esses grupos revolucionários na época, segundo Ítalo Tronca (1982, p. 10) eram: “as classes médias, por serem dependentes das oligarquias; a oligarquia afastada do poder, por estar debilitada pela crise do café; e as novas oligarquias, com Vargas à frente, de mãos atadas, porque embora tivessem tomado o poder em 30, a economia do país continuava a depender do café”.. (Obviamente que aqui inserimos esse conceito revolucionário, considerando que a ascensão de Getúlio ao poder, representava os interesses de uma parcela da elite liberal contrária aos interesses dos grandes latifundiários cafeicultores).
Referências bibliográficas:


BRANDÃO, Gildo Marçal. A Esquerda Positiva. As Duas Almas do Partido Comunista – 1920/1964. 1. ed. São Paulo: Editora Hucitec: 1997.


DEL RIO, Marcos. A Classe Operária na Revolução Burguesa – A política de alianças do PCB: 1928 – 1935. 1. ed. Belo Horizonte: Oficina dos Livros: 1990.


FERNANDES, Florestan. A Contestação Necessária. 1. ed. São Paulo: Editora Ática: 1995.


IGLESIAS, Francisco (org). Caio Prado Junior: História. 1. ed. São Paulo: Editora Ática: 1982.


PRADO JUNIOR, Caio. A Evolução Política do Brasil. 9. ed. São Paulo: Brasiliense: 1933.


________________. Formação do Brasil Contemporâneo. 23. ed. São Paulo: Brasiliense: 1994.


________________. História Econômica do Brasil. 1. ed. 47 reimpressão. São Paulo: Brasiliense: 2006.

KONDER, Leandro. História das Idéias Socialistas no Brasil. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular: 2003.


RICUPERO, Bernardo. Caio Prado Jr e a Nacionalização do marxismo no Brasil. 1. ed. São Paulo: editora 34: 2000.

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