Socializo com todos e todas, algumas passagens do Marx e Engels sobre a Propriedade Privada, dos textos: Formações Econômicas Pré-Capitalistas, Grundrisse e a Ideologia Alemã. A intencionalidade é compreender a "evolução histórica" (ruptura e manutenção) das formas de propriedade e como se manifestaram (a partir da sua organização concreta), problematizando assim, a explicação burguesa da origem (naturalizada) da mesma.
Formas de Propriedade em Marx e Engels
FICHAMENTO
K.
Marx. Formações Econômicas
Pré-Capitalista. 1. Ed. Porto, Publicações Escorpião: 1973
COMUNA TRIBAL e DEPOTISMO
ORIENTAL
Indivíduo
considera os outros co proprietário... Ou como proprietários e independentes a
seu lado, proprietários privados.
Estatuto
emana da comuna ou das famílias que constituem a comuna.
(comentário):
Estatuto: normas da comunidade/Comuna.
P.
5
Embora
os trabalhadores possam fornecer trabalho excedente, o seu objetivo não é criar
valores. O seu trabalho tem por finalidade a conservação de cada proprietário
individual e da sua família, bem como a conservação da comunidade no seu
conjunto.
P.
5 e 6
Na
primeira forma desta propriedade da terra, a comunidade natural é a condição
primordial: quer por casamentos recíprocos, quer por associação, a família
cresce até as dimensões da tribo.
Por
conseguinte, a comunidade tribal, a comuna natural, aparece não como resultado,
mais como condição da apropriação (temporária) e da utilização comum do solo.
A
comunidade tribal primitivo, ou, se se quiser, o estado gregário, é a primeira
condição - a comunidade de sangue, da língua, dos costumes, etc. - da atividade
reprodutora a e criadora de produtos (como caçadores, pastores e agricultores,
etc.).
P.
6
Maior
parte das famílias asiáticas, a unidade centralizadora que se ergue por sobre
pequenas comunidades fazer figura de proprietário supremo ou único.
Propriedade:
(comportamento do indivíduo em relação às condições naturais do trabalho), é
dada ao indivíduo pela boa vontade da Unidade total realizada na pessoa do
déspota, pai das diversas comuna, que concede ao indivíduo por intermédio de
determinada comuna particular. Daí que o sobre produto... reverta
automaticamente para essa unidade suprema...
Uma
parte do seu sobre trabalho pertence a comunidade superior, a qual acaba por
tomar corpo numa pessoa, e este sobre trabalho manifesta se tanto no tributo,
etc., como nos trabalhos coletivos destinado a glorificar a Unidade...
p.
7
As
cidades propriamente ditas formam-se ao lado destas aldeias, mas em pontos
particularmente favoráveis para o comércio externo, ou então no local em que o
chefe do estado e seus sápatras trocam o seu rendimento (sobre produto) pelo
trabalho e o dispêndio a título fundo de mão-de-obra.
P.
8
COMUNA e ESTADO em
ROMA
A segunda forma... Resulta de uma atividade, de uma
vida histórica mais movimentada, de um decurso de fatalidades e de
transformações sobre vindas no seio das tribos primitivas. Ela pressupõe igualmente
a comunidade como condição primordial, mas não enquanto substância na qual o
indivíduo passa de um acidente ou de um elemento puramente natural; não
pressupõe a terra como base, mas sim à cidade enquanto estância (centro), já
criara de agricultores (proprietários fundiários).
A superfície cultivada aparece como território da
cidade, que já não é a aldeia... As dificuldades encontradas por uma comuna só
podem por vir de outras comunas que tenham já ocupado as terras ou a impeçam de
se instalar.
É, pois militarmente que em primeiro lugar se
organiza comuna composta por famílias; a organização militar e guerreira é uma
das condições da sua existência como proprietária.
Abade desta organização militar é a concentração
das habitações na cidade. A ordem tribal como tal leva a divisão em famílias
superiores e inferiores.
Propriedade da Comuna-Estado é separada da
propriedade privada.
p. 9
Aqui a propriedade do indivíduo isolado não é
diretamente a da comuna.
Quanto mais a tribo se afasta da sua estância
primitiva e mais territórios estrangeiros ocupam, quanto mais, portanto, se
encontra em condições de trabalho essencialmente novas, tanto mais se
desenvolve a energia dos indivíduos isolados... E se vê surgir as condições que
fazem com que os indivíduos se tornem proprietário e isolado do solo... Cujo cultivo
particular lhe incumbe, a ele e a sua família.
p. 9 e 10 de
(comentário) Proprietário: produto histórico.
Para arranjar com que viver, o indivíduo
(proprietário) é colocado em condições tais que o objeto do seu trabalho não é
a aquisição da riqueza, mas a autarquia, a sua própria reprodução como
proprietário.
p. 11
Apropriam se do seu próprio trabalho apropriando se
das condições de trabalho.
O membro da comuna reproduz se cooperando não na
criação de riquezas, mais de interesses comum com vista a manterá associação
interior face ao exterior.
p. 11
No caso asiático, não há propriedade, mais
unicamente posse individual; sem da comuna o verdadeiro real proprietário, a
propriedade comum do solo é a única que existe.
p. 15
COMUMA
ANTIGA e a RIQUEZA BURGUESA
... Em todas essas formas, a propriedade fundiária
e a agricultura, constituem a base econômica.
P. 16
Propriedade do indivíduo trabalhador, é diretamente
mediatizado pela existência natural... Modificado historicamente...
Indivíduo: membro da comuna; clã; tribo.
Um indivíduo isolado, não poderia ter a propriedade
da terra, do mesmo modo que não poderia desenvolver a linguagem.
Propriedade: produto histórico social.
p. 17
A propriedade mediatizada pela existência da
comuna, pode aparecer como propriedade comum, não sendo aqui o indivíduo mais
que possuidor: a propriedade privada não existe.
Ou então, a propriedade apresenta-se sobre duas
formas de propriedade de Estado e de propriedade privada, co-existindo uma do
lado da outra.
p. 18
(comentário) Relação propriedade:
a) depende do comportamento da comuna, da tribo;
b) das forças produtivas: condições econômicas;
c) relações com o clima, fertilidade do solo,
recursos naturais...
d) população (progresso da população);
DISSOLUÇÃO
das FORMAS PRIMITIVAS
Evidentemente, que se é muito fácil imaginar o
homem possante, fisicamente superior, que, após dominar o animal, domina o
homem e o força a caçar para si... Exatamente como se tratasse de qualquer
outra espécie natural. Tal perspectiva é idiota: ela seria justa se se
considerassem organizações tribais ou sociedades comunais determinadas; mas ela
parte do desenvolvimento de indivíduos isolados.
Ora, é só através do processo histórico que o homem
se particulariza. Primitivamente, Eli aparece como ser genérico, tribal, como
um animal gregário - de modo algum com zôon politikon no sentido
político. A própria troca é um dos principais meios dessa particularização. Ela
torna supérfluo o estado gregário e provoca sua dissolução. A partir de então,
o homem, indivíduo isolado, passa a estar em relação apenas consigo próprio;
mais o meio de atingir essa individualização é tornar-se um ser geral e comum.
p.31
Vejamos, para começar, do que se trata: a relação
entre trabalho e o capital, ou as condições objetivas do trabalho enquanto
capital, pressupõe um processo histórico que dissolve as diversas formas em que
ou trabalhador é proprietário ou o proprietário trabalha. Por conseguinte ha,
antes de mais nada: 1. dissolução da relação com a terra, com solo, enquanto
condição natural de produção a que o trabalhador se refere como sua própria
existência não orgânica, laboratório da sua força e domínio da sua vontade.
Todas as formas em que se encontra esta propriedade pressupõe uma comunidade
cujos membros, apesar das diferenças formais, são, enquanto membros,
proprietários. A forma primitiva desta propriedade é conseqüentemente, ela
própria propriedade comum direta... 2. dissolução da relação entre o
trabalhador aparece como proprietário do instrumento. Tal como a primeira forma
da propriedade pressupõe uma comunidade geral, desta propriedade do instrumento
pressupõe uma forma particular do desenvolvimento do trabalho manufatureira
enquanto trabalho artesanal; ao que se liga o sistema do mestrado e das
corporações, etc... Aqui o trabalho é ainda pessoal;... 3. um e outro implicam
que, para poder viver como produtor, o trabalhador possua os meios de consumo
antes dos da produção, enquanto produz e antes que termine o seu trabalho. Como
proprietário fundiário, ele parece dispor diretamente do fundo de consumo
necessário; enquanto mestre- artesão, adquiriu o quer por herança quer pelo seu
trabalho, fazendo economias... 4. dissolução das condições em que o próprio
trabalhador e as formas de trabalho se contam ainda diretamente entre as
condições objetivas da produção são como tais apropriadas; são pois escravos ou
servos. Para o capital, não é o trabalhador, mas sim o trabalho, que é uma
condição da produção... Ele apropria se não do trabalhador, mas do seu
trabalho...
p. 32 e 33
GÊNESE
DO CAPITAL
... A formação do capital não procede da
propriedade privada para (com exceção, quando muito, no caso do rendeiro, na
medida em que ele é um comerciante de produtos agrícolas), nem tão pouco da
corporação (embora aqui haja alguma possibilidade), mas sim da riqueza
comercial e o usurária. Ora, esta só encontra trabalho livre para comprar
depois dele ter sido separado, por um processo histórico, das suas condições
objetivas de existência. É só então que em conta a possibilidade de comprar
essas próprias condições.
p. 43
fica-se com uma idéia errada da gênese do capital se
se pensar que, na origem, ele acumulou meios de subsistência, instrumentos de
trabalho e matéria-prima, em suma, as condições objetivas do trabalho desligadas
do solo e já combinadas com trabalho humano. Ora, não é o capital e cria as
condições objetivas do trabalho. A sua origem deve a eles um fato simples:
graças ao processo histórico que dissolve o antigo modo de produção, no valor
constituído na forma de riqueza em dinheiro tem a faculdade de, por um lado,
comprar as condições objetivas do trabalho e, por outro lado, trocar por
dinheiro o trabalho vivo oferecidos pelos trabalhadores tornados livres. Todos
esses momentos existem; a sua separação é um produto histórico, um processo de
dissolução, e a ele que confere ao dinheiro a faculdade de se transformar em
capital.
p. 44 e 45
Por outro lado, as subsistências, etc., que
anteriormente os proprietários fundiários consumiam com o séquito estavam
doravante à disposição do dinheiro, que, ao comprá-los, comprava, por seu
intermédio, trabalho. O dinheiro não criou nenhum acumulou esses meios de
subsistência: eles existiram, foram consumidos e reproduzidos antes de o serem
de por sua intervenção. O que havia de novo era esses meios de subsistência
serem, a partir de então, lançados no mercado de trocas; é que eles já não
serviam diretamente para alimentar o séquito, etc.; é que, de valores de uso
tinham se transformado em valores de troca, ainda sem sob o domínio e a
supremacia da riqueza monetária.
p. 46
K. Marx. Grundrisse. 1
ed. São Paulo, Boitempo: 2011
Isto por que o trabalhador e encontrar as condições
objetivas do trabalho separadas dele como capital, e o capitalista encontrar o
trabalhador privado de propriedade como trabalhador abstrato - a troca, tal
como se dá entre valor e trabalho vivo -, supõe um processo histórico - por
mais que o capital e trabalho assalariado reproduzam essa relação que a
elaborem sua extensão objetiva, bem como em sua profundidade -, um processo
histórico que, como vimos, constitui a história da gênese do capital e do
trabalho assalariado. Em outras palavras: a gênese extraeconômica da
propriedade nada mais significa que a gênese histórica da economia burguesa, da
suas formas de produção que são expressas pelas categorias da economia política
teórica ou idealmente.
p. 400
As condições originais da produção (ou, o que é a
mesma coisa, da reprodução de um número crescente de pessoas pelo processo
natural dos dois sexos; pois se essa e reprodução, por um lado, aparece como a
apropriação dos objetos pelos sujeitos, por outro, aparece igualmente como
conformação, sujeição dos objetos a uma finalidade subjetiva; sua transformação
em resultados e receptáculos da atividade subjetiva), originalmente, não podem
ser elas próprias produzidas - não podem ser resultados da produção. Não é a
unidade do ser humano vivo e ativo com as condições naturais, inorgânicas, do
seu metabolismo com a natureza e, em conseqüência, a sua apropriação da
natureza que precisa de explicação ou é resultado de um processo histórico,
mais a separação entre as condições inorgânicas da existência humana e essa existência
ativa, uma separação que só está posta por completo na relação entre trabalho
assalariado e capital. Na relação de escravidão o de servo não ocorre a
separação; ao contrário, uma parte da sociedade é tratada pela outra como
simples condição e no orgânica e natural de sua própria reprodução. O escravo
não está em qualquer relação com as condições objetivas do seu trabalho; mais
do próprio trabalho, seja na forma do escravo, seja na do servo, é arrolado
entre os demais seres naturais como condição e não orgânica da reprodução, ao
lado do gado ou como apêndice da terra.
p. 401
Uma condição natural de produção para o indivíduo
vivo é seu pertencimento a uma sociedade originada natural e espontaneamente, a
uma tribo etc. Tal pertencimento é desde logo, por exemplo, condição para sua
linguagem etc. A sua própria existência produtiva só existe sob essa condição.
A sua existência subjetiva enquanto tal é condicionada por isso, na mesma
medida em que é condicionada por seu comportamento em relação à terra como seu
laboratório. (decerto a propriedade é originalmente móvel, porque o ser humano
apodera-se primeiramente dos frutos da terra já prontos, dentre os quais estão,
entre outros, também os animais, e, para ele, especialmente os domesticáveis.
Todavia, até mesmo este estado de coisas - caça, pesca, pastoreio, viver de
frutos das árvores etc. - supõe sempre apropriação da terra, seja para fixar
residência, seja para o nomadismo, seja para o pastoreio dos animais etc.)
A propriedade significa, portanto, pertencer a uma
tribo (comunidade) (ter e existência subjetiva/objetivo dentro dela) e, por
mediação do comportamento dessa comunidade em relação ao território, a terra
como seu corpo e orgânico, [significa também] comportamento do indivíduo em
relação ao território, a condição originária e exterior de produção - porque a
terra é, a um só tempo, matéria-prima, instrumento e fruto - como pressupostos
pertencentes a sua individualidade; como modos de e existência da
individualidade.
p. 403 e 404
É somente pela caça das tribos que uma região da
terra se converte em um território de caça; é somente pelo cultivo da terra que
o território é posto como prolongamento do corpo de indivíduo. Depois que a
cidade de Roma foi construída e os campos nos arredores foram cultivados pelos
seus cidadãos, as condições da comunidade tornaram-se diferentes do que eram
antes. A finalidade de todas as os comunidades é a conservação; i.e., no mesmo
modo de existência o objetivo que constituem o mesmo tempo o comportamento dos
membros uns em relação e, por isso, a própria comunidade.
p. 405
K.Marx &; F. Engels. A
Ideologia Alemã. 1 ed. São Paulo, Boitempo: 2009
A primeira forma da propriedade é a propriedade
tribal [Stzmmeigentum]. Ela corresponde à fase não desenvolvida da
produção, em que um povo se alimenta da caça e da pesca, da criação de gado ou
no máximo da agricultura. Neste último caso, a propriedade tribal pressupõe uma
grande quantidade de terras incultas. Nessa fase, a divisão do trabalho é,
ainda, bem pouco desenvolvida e se limitam a maior extensão da divisão natural
do trabalho que já existia na família: os chefes patriarcais da tribo, abaixo
deles os membros da tribo e, por fim, os escravos. A escravidão latente na
família se desenvolve apenas ao poucos, com aumento da população e das
necessidades, e com a expansão do intercâmbio externo, tanto da guerra como da
troca.
A segunda forma é a propriedade estatal ou comunal
da Antiguidade, que resulta da unificação de mais de uma tribo numa cidade por
meio de contrato ou a conquista, e na qual a escravidão continua a existir. Ao
lado da propriedade comunal, já se desenvolve a propriedade privada móvel e,
mais tarde, a propriedade privada imóvel, mas como uma forma anômala [anomalia]
e subordinada à propriedade comunal. Apenas em sua comunidade possuem os
cidadãos o poder sobre seus escravos trabalhadores e, por esse motivo,
permanecem ligados à forma da propriedade comunal. Esta última é a propriedade
privada comunitária dos cidadãos ativos, que, em face dos escravos, são
obrigados a permanecer nessa forma de associação surgida naturalmente. Por
isso, a estrutura da sociedade tem por base esse tipo de propriedade entra em
decadência e, com ela, decai também, no mesmo grau, o poder do povo, sobretudo
na medida em que desenvolve a propriedade privada imóvel. A divisão do trabalho
já está mais desenvolvida. Já podemos encontrar a oposição entre cidade e campo
e, mais tarde, a oposição entre Estados que representam o interesse da cidade e
aqueles que representam o interesse do campo; e, no interior das próprias
cidades, encontramos a oposição entre a indústria e o comércio marítimo. A
relação de classes entre cidadãos e escravos e está completamente desenvolvida
(nos plebeus romanos encontramos, de início, pequenos proprietários de terra e,
posteriormente, os começos de um proletariado, que, no entanto, não alcança nem
um desenvolvimento em virtude de sua posição intermediária entre os cidadãos de
posse e os escravos. Ao mesmo tempo e encontramos aqui, primeiramente...). A
terceira forma é propriedade feudal ou estamental. Se a antiguidade baseou-se
na cidade e em seu pequeno território, a idade média baseou-se no campo. A
escassa população existente, espalhada por uma vasta superfície e que não teve
um grande crescimento com a chegada dos conquistadores, condicionou essa
mudança de ponto de partida. Ao contrário da Grécia e de Roma, o
desenvolvimento feudal começa, pois, num terreno muito mais extenso, preparado
pelas conquistas romanas e pela expansão da agricultura vinculada a essas
conquistas. Os últimos séculos do império romano em declínio e suas conquistas
pelos bárbaros destruíram uma enorme quantidade de forças produtivas;
agricultura de diminuído, a indústria de caíra pela falta de mercados, o
comércio adormecera ou fora violentamente interrompido, as populações da cidade
do campo haviam diminuído. Essas condições preexistentes e o modo de
organização da conquista por elas condicionado desenvolveram a propriedade
feudal, sob a influência da organização militar germânica. A propriedade
feudal, tal como propriedade comunal e tribal, baseia-se e igualmente numa
comunidade em que não são mais os escravos, como para os antigos, mas sim os
pequenos camponeses sérvios da greve e que formam a classe imediatamente
produtora. Simultaneamente a formação completa do feudalismo, surge também a
oposição às cidades. A estrutura hierárquica da posse da terra e a vassalagem
armada ligada a esse e estrutura davam a essa nobreza o poder sobre os servos.
Essa agricultura feudal, assim como a propriedade como na antiga, era uma
associação oposta à classe produtora dominada; apenas a forma de associação e a
relação com os produtores diretos eram diferentes, porque as condições de
produção haviam mudado.
p. 90 e 91
Portanto, a propriedade principal era constituída,
durante a época feudal, de um lado, pela propriedade da terra e pelo trabalho
servil a ela acorrentado e, do outro, pelo trabalho próprio com um pequeno
capital que dominava o trabalho dos oficiais. A estrutura de ambos era
condicionada pelas limitadas relações de produção - pelo escasso e grosseiro
cultivo da terra e pela indústria artesanal. A divisão do trabalho pouco
ocorreu na florescência do feudalismo. Cada país trazia em si a oposição entre
cidade e campo; a estrutura estamental estava fortemente estabelecida; mais
além da separação entre princípios, nobres, clero e campesinato no campo, e
entre mestres, oficiais e aprendizes, e logo também a plebe de assalariados
diaristas na cidade, não houve nenhuma outra divisão significativa. Na
agricultura, a divisão do trabalho era dificultada pelo cultivo parcelado, ao
lado do qual surgiu a indústria doméstica dos próprios camponeses; na
indústria, o trabalho nem sequer era dividido dentro de cada ofício e era bem
pouco dividido entre os ofícios. A divisão entre indústria e comércio que já
existia nas cidades antigas, desenvolveu-se nas novas cidades apenas mais
tarde, quando elas passaram a se relacionar umas com as outras
A junção de grandes territórios em reinos feudais
era uma necessidade, tanto para nobreza rural como para as cidades. Por isso, a
organização da classe dominante, da nobreza, tinha por toda parte um monarca à
frente.
(comentário): estado absolutista.
p. 91 e 92